quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Here comes the sun thururu here comes the sun and I say it's all right #01

Onze horas de voo, filipino gorducho roncador, criança gritando ao longe (mas nao tao longe o suficiente) roda de cariocas fazendo gracinhas que so tem graça na terra deles, celebridades bundalele style, alguma turbulencia sobre o atlantico. Essas foram as partes chatas do voo ate amsterdam. As partes boas foram a comida de bordo e o atendimento da KLM que foram muito show. Tinha cafe com baileys e whisky ate para a classe econômica! Em frente a cada poltrona ha uma tela de lcd com que é um terminal multimidia (voce fica com o controle remoto e fones de ouvido independentes para acessar centenas de programas, filmes, email, etc. A ferramenta mais bacana é o tracking do voo, onde voce tem todas as informações tipo velocidade, temperatura (em algum momento fez -52 nos ares lusos), altitude, tudo isso com um mapa mundi que ia sendo atualizado a medida q o avião avançava. Quando estávamos chegando na holanda, a celebridade brejeira se levanta, me olha com olhos travecos "bianca exótica" e diz: Da uma olhadinha na minha bolsa tá!, saindo em seguida numa balançada de cabelo. Amsterdam vista do alto é completamente impressionante, é azul, tem uma energia azul, não sei como explicar. O urbanismo oceanico e triangular que eles tem é muito lindo. Não pude tirar foto porque tinha o casal de celebridades bem na minha frente. No aeroporto, não fui parado pela imigração e como me perdi um pouco, cruzei a fronteira Schengen umas tres vezes.Tirei uma soneca nessas espreguiçadeiras que existem la. O aeroporto é fantastico. Fiquei impressionado com o tanto de gente misturada que há lá. Dificil encontrar o tal "europeu", todo mundo te olhando direto nos olhos, muitos gays. Bem, estava muito cansado, mas mesmo assim foi um choque. Chegar em Manchester já é completamente diferente. Voce so ve nuvens, nuvens e nuvens. Quando voce ve a terra, so ve um ar meio caipira e uma serie infinita de conjunto habitacionais absolutamente sem graça e muito parecidos.Na imigraçao, fiquei parado um bom tempo pois tive que contar todas as estórias e mostrar todos os documentos possiveis. Foi meio clash cultural porque peguei uma mancunian como atendente (nome de quem é daqui é tem um sotaque quase escoces, ou seja muito dificil) e tive que me virar com meu ingles fraquinho. So para voces terem uma ideia, sempre que ela falava (all) right eu jurava que escutava "rice" (arroz). Ganhei meus 6 meses sem direito a trabalhar em renovaçao. Mas posso sair para minhas viagens pela europa sem problema.
O aeroporto parece coisa de luxo anos 80, muito feio e nada funcional, carpetes roxos e paredes azuis. Tudo fecha as 18h entao voce na consegue nem tomar um café ou comprar um cartão telefonico. Depois descobri que o sistema de telefonia publica é meio lixo. Fiquei um bom tempo esperando o trem, que era muito decente e repleto de ritos old fashion: havia um lanternista que dava um apito e umas piscadas de lanterna antes do trem sair, so faltou uma fumacinha sair da cabine...
O centro de Manchester é interessante, mas pouco pude ver na hora, meu orientador queria me levar justo num dos lugares mais ridiculos da cidade , um mega shopping com decoracao orientalista de luxo e mau gosto. Na pizzaria (nada a ver com as brasileiras) encontrei o primeiro brasileiro daqui. Me chamou para um sambinha , churrascada e tentou me vender uns pacotes de viagem, hahahhaha. Consegui emprego lá também, mas recusei educadamente.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

I don't know exactally what I'm feeling, but it's an amazing sensation. Leave some of parts of me behind to go further. hummm , sound nice. Here we go! Next posts from manchester. Vejo voces logo, grande beijo, RG

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A dream with Ivone as the world ends

I dreamed that we still lived close, and in some moment "they" arrived and killed all ours friends and beloved ones. I tried to take my sister with us but she had been blind and crazy. I found you in the middle of the corpses and we left by bicycle, travelling by a semi-devastated world, that seemed like my home town.
We went by some bakeries that insisted on working in spite of the apocalypse. We were seeking for the last "trufado" chocolate ice cream. Latter, we found a ron bottle and we drank. Passing by a corner you told me there's a place where you could find out an interesting woman (it was a house in a strange twilight). I told you then that I had already seen these soap opera chapters and I already knew that story doesn't have a happy end.
In front of a pile of destroyed guitars, a huge mountain, we're very sad because there would not be more songs like those of Leonard Cohen.
We found the last world's ice cream and you said: I hate when people licks the same things that me, but as it is you, we will share this ice cream.
We reached the port but it was closed. We remembered then of seeking the car keys in the debris. In some street, we went by an huge gay nightclub in Greek-Roman style where there was a kind of pool party. It was a sunny day and the men made acrobatic sex in the balcony. We stopped for a while to think why that mens are locked in their neverland, playing of Peter Pan, while the world agonized. So, they began to throw ice cubes on us. We were perplexed: why those gays (like us), didn't understand us? Will it be that we were different only because we hold hands while enjoying ice cream? Very far from there we listened a familiar sound in a locked house: it was the last time that somebody was listening a song of the smiths. I woke up and I went running to do pee and write those lines before they disappeared.
" Panic on the streets of London
Panic on the streets of Birmingham
I wonder to myself
Could life ever be sane again ?
The Leeds side-streets that you slip down
I wonder to myself
Hopes may rise on the Grasmere
But Honey Pie, you're not safe here
So you run down
To the safety of the town
But there's Panic on the streets of Carlisle
Dublin, Dundee, Humberside
I wonder to myself "

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Balanços à beira do desconhecido

E então o ano finalmente chegou ao final. Não vou esconder de ninguém que sinto um tremendo alívio por isso. Acho que envelheci uns 5 anos em 1, pelo menos valeu a pena pois me sinto um pouco menos idiota e mais cheio de vida e de histórias. Vou fazer aqui meu balanço, das coisas que acho mais importantes, para me ajudar a pensar no que será do meu futuro próximo.


O ano começou em Trindade-RJ, com uma certa chuva, em companhia de amigos e de um bom namorado que deixou muito boas lembranças. Não sabia mas o Rio de Janeiro acabaria sendo o lugar paradigmático do ano. Hahhaha. Os primeiros meses foram arrastados, o namoro acabou e nem me lembro o que fiz direito destes meses até a virada cultural em maio.

Paixão explosiva. Promessas às estrelas. Confidências no teto da moradia da unicamp. Sexo como nunca antes. Lua de mel argentina. E para encurtar a estória a raposa ficou tonta e doente no dia do seu aniversário. Em Montevideo ponto final:

Sofri muito, fiquei cheio de cabelos brancos. Descobri outras culturas, sabores, pessoas. Agonia e pitatinhas de extâse. Mágoa e depois esquecimento. Achei que não iria mais ficar apaixonado no ano, mas houve o sujeito de postagens anteriores. Neste momento alguém de quem gosto imensamente me interrompe e diz: "Eu acho que vc está passando por uma crise de identidade de tamanho considerável e, como consequência, falando coisas que sabe que não irá fazer." Talvez ele tenha razão, mas a crise é de outra natureza. Estou exausto dos meus planos moribundos, feitos pelo meu eu adolescente pré graduação. Já estou há 14 anos na Universidade. To sentindo vontade de tirar a roupa e sair correndo para longe do wissenschaft cabeçudo. Quero viajar no cheiro da grama molhada novamente, seguir pela estrada do oriente, não ter vergonha e principalmente não me arrepender por ficar apaixonado. Quero manter minha coerência e seguir pelo mundo. AHHHHH! (grito na noite fria de verão!!!) antes que me esqueça, este ano publiquei um livro com minha mulher morena escândalo, (quem quiser cópia me avise que ganha de presente), é sobre o mercado da performance. O texto também foi publicado em espanhol numa revista argentina. Também representei a USP num evento internacional na recoleta na argentina, dei umas aulas e escrevi 42 páginas da minha tese.
Este ano, mais uma vez tive a honra de estar com o Clement aqui em casa. Dentro tudo que é transitório e vulgar, só o charme da timidez francesa permanece entre queijos e vinhos. Tudo passa menos ele. Abaixo temos um momento onde vi um coelho nas crateras da lua:

Isso significa mais um namoro, mais bons momentos e depois uma ruptura. Coloquei o coração para descansar bem longe dos olhares do mundo. Enquanto isso:
Meus orientadores abrindo uma nova porta para mim, dessa vez em Manchester - Inglaterra.
No meio deste turbilhão me sinto como Bukowski na mão do hippie em Hair. Em breve trarei notícias de lá. Para terminar:
Un due tre
Quattro cinque e sei
Un saltino e sono sulla gamba di costei
Un due tre
Quattro cinque e sei
Mi permetta un morsettino
Scusi non ce l’ho con lei
Un due tre
Quattro cinque e sei
La pancina adesso è piena
Ciao goodbye aufwiedersen

domingo, 9 de dezembro de 2007

Borandá deambular


Querido diário, essa foi uma das semanas mais loucas de um ano idem. O melhor momento foi ter ido à São Carlos entrevistar o LFER (imagem acima com parangolé em NYC). Sem dúvida alguma um mestre. Falamos muito sobre Oiticica, loucuras e sonhos. Voltarei lá mais vezes para pedir a benção. A foto ai de baixo é de quando sai la da chácara onde ele mora e fui andar até a rodoviária da cidade com meu mochilão multimídia debaixo de chuva.
Outro dia examinei a sola do meu tênis preferido e vi que de certa forma estou fazendo como os pássaros, espalhando sementes agarradas em chiclete e bitucas de cigarro. (é uma metáfora interessante para o autor). O que nos leva a noite de ontem, maior motivação para escrever aqui agora.
Encontrei o Lúcio e todas suas contradições no bexiga, no cruzamento ai de baixo. Fiz uma performance que mimetizava o Oiticica, big mouth strikes again, isso porque andamos pela escadaria onde ele fez a performance do "Oudáoudesçe" numa noite perdida nos 70's. Pela rua, um traficante batia boca com um infeliz, todo o povaréu se juntou pedindo sangue, mas ele não veio. Do embate com Lúcio, fica a promessa de nos reunirmos no futuro neste mesmo locus para refletir sobre nossas escolhas na vida e tals.Fomos depois a baladinha grátis no clube glória e finalmente me reencontrei com o southern confort. Fiquei tão contente e enamorado que bati essa foto lá e avisei aos amigos pelo celular. Quem gosta da bebida tem que aproveitar, pois talvez sejam as duas ultimas garrafas de SP.

Co'a marvada pinga é que eu me atrapaio
Eu entro na venda e já dô meus taio
Pego no copo e dali num saio
Ali mesmo eu bebo, ali mesmo eu caio
Só pra carregá é queu dô trabaio, oi lá!Encontrei também com uma boca transitória sem nome acompanhada de mão boba super excitada para conhecer a montanha de meus países baixos. Foi bom enquanto durou e dessa vez não teve chororo. Mas a "marvada" cobrou seu preço mais tarde quando o (hot) dogão que estava recém chegado ao estômago resolveu latir até sair de lá pela minha boca. Para piorar, depois dessa cena (privada essa vez) resolvi mandar uma mensagem para o sujeito de postagens anteriores. Era so a palavra maldito, mas nem isso consegui escrever direito. Que vergonha!!!
Voltei para casa e topei com essa imagem nos jardins da usp enquanto tocava essa música na minha cabeça:

Já virei calçada maltratada

E na virada quase nada
Me restou a curtição
Já rodei o mundo quase mudo
No entanto num segundo
Este livro veio à mão
Já senti saudade
Já fiz muita coisa errada
Já pedi ajuda
Já dormi na rua
Mas lendo atingi o bom senso
A imunização racional (Bom senso - Tim Maia)

sábado, 8 de dezembro de 2007

Página 32 do livro do amor perdido - Ficção ou realidade?

Imagem de Keith Haring que não sei o nome mas me lembra "o sócio-pata conquistador" como definido por Acácio Pagan.

Essa viagem ao rio me deixou quase sem palavras. Para mim ainda é difícil de entender nossos “encontros e desencontros” que ao contrário do filme de Sophia não tem quase nenhum encanto. Estou na estrada digitando estes pensamentos enquanto ainda me lembro das ruas do rio e da sua cara encantadora. Resolvi escrever para entender e para aproveitar a máxima dos Carpenters de tudo que você consegue do amor é uma canção de amor, sendo assim escrevo essa canção para ti, rememorando todos os momentos que tivemos desde o primeiro olhar ate o ultimo silêncio.

Uma vez no mundo paralelo da internet encontrei um sujeito baiano, mestiço de índio com holandês, brasileiro legitimo, protegido de oxumaré. Tinha olhos encantadores, oblíquos como os de Capitu, puxados e vesguinhos. Durante várias madrugadas não pude olhar para outra coisa que não fossem estes olhos. Conversávamos por horas e horas ate o raiar do dia e era uma conversa que neste instante enche meus olhos de melancolia pois agora sei que era pura conversa fiada de um desequilibrado. Pauso um pouco a redação para ver se voce finalmente deu algum sinal de vida no celular para dizer tchau ao menos, mas nada. Como companhia só o som dos Stone Roses; sinto um aperto no meu peito. Tudo esta mascarado pelo mau cinema canta Françoise Hardy em "to the end - comedie" versão francesa. Miséria carioca lá fora em breve será emendada pela miséria paulista, cordão umbilical: Dutra. Ontem na noite dos jogos entre meninos (eternos), a boate, percebi depois de beijar dois semi-desconhecidos, que somos os próprios meninos perdidos na terra do nunca e que não vamos sair de lá nunca, nem crescer, condenamos a uma velhice patética vestida de sunga nas areias do posto 9, falando mal uns dos outros. Praguejando contra o tempo...

Aquelas conversas que tínhamos aqueciam muito meu coração, atrapalhavam meu trabalho, me deixavam contente e preocupado. Sabia que era um momento especial compartilhado e correspondido pela sua enxurrada de palavras, das quais selecionei uns trechos e colo abaixo:

menino rodrigo, não preciso dizer que você não sai da cabeça.
entro mil vezes no orkut para ver sua foto de língua de fora, abro mais mil as fotos das mensagens que você mandou pelo celular. leio seu about me como se estivesse lendo bula de remédio, tentando descobrir mais de você e ficar um pouco mais perto. abraço travesseiros como se tivessem 1,72 e barba pra ver se eu sonho mais um pouco.
e sério, tenho tido as melhores noites em muito tempo, vendo você pela cam e amanhecendo o dia esperando pelas suas reações a todas as besteiras que eu escrevo (...)

Lembra do Charles Laughton naquela noite pré trepada: liar, liar, liar. Pois é, antes fosse o personagem de Marlene Dietrich, mentindo por amor, mas como você mesmo disse em algum momento, você é só uma bicha de Ipanema. Rio de Janeiro, zona sul, tenho uma opnião a respeito e gostaria de dizer que o Rio é maravilhoso, especialmente no verão, como turista, e se você tem algum dinheiro no bolso pronto para curtir as superficialidades. Só um tapinha nao dói! Agora, se você pensa em qualquer coisa diferente do coito breve, gozo 1,99, la é uma terra putrefada, putrida de putos (com raríssimas e honrosas exceções). Dai serão vários tapinhas e a dor vai ser imensa, uma hora ou outra.

Penso em você naqueles dias de internet até o limite que me impus: este "te amo em potência", deveria ser testado o mais rápido possível, não poderia ficar com essa dúvida na cabeça. Fui para outro estado só para isso, cheguei amassado e de mau humor, mas ver que você existia, a alegria que estava no seu olhar no nosso primeiro beijo, sentir seu gosto, seu hálito. Até tomei vitamina de frutas batidas! Nada de whisky, era maça mesmo. Ficar aqueles dias na sua casa, abraçado quase o tempo todo, conversando, trocando filmes e músicas foi muito especial. Senti muita identificação contigo ainda que você tivesse este corpão (rodado). Por isso quando estava indo para o cadafalso dos falsos prazeres na terra do nunca que fica na rua raul pompéia, te mandei via celular: saudade. Só isso. Era uma forma de pedir socorro também. Estou sentindo sua falta ainda que você só mereça meu desprezo. Está ai a lama tantas vezes chafurdada em nosso cancioneiro popular. Restam 38% da bateria de meu computador e penso em ficar digitando até o final. Acaba de chegar uma mensagem no meu celular, não é sua mas de meu amigo-amante-querido carioca dizendo ciao e boa viagem. Sobre isso a única coisa que posso comentar é: enquanto tudo é jogo, enquanto temos um distanciamento calculado do outro, tudo parece funcionar bem. O problema sempre foi o salto de bungee jump.

Desliguei o celular agora 16.20. Olhei pela ultima vez as suas fotos la. Silêncio.

Aproveitei que chorei um pouco e tirei umas fotos. Não ficaram boas porque com o calor tropical as lágrimas secam rápido no rosto. (2 de dezembro de 2007)


segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Postcards from Rio

Fui ao Rio movido a paixão, voltei de lá com um samba maroto mais ou menos assim: vô tomá banho de pipoca! vô tomá, banho de feijão; qualquer coisa que desamarre meu coração! (chora cavaco! ria cuíca!)
Acima vemos dois momentos cariocas, em um a explosão pré natalina e no outro uma bruma com cheiro de queimado que restou depois do estouro dos fogos. Ainda não sei qual imagem é a mais forte dessa viagem. Na dúvida mandei os pensamentos para longe junto com meus cabelos. Quem sabe a careca não me deixa mais ponderado e menos explosivo?
Rio de Janeiro - "City of Splendour"
Rio de Janeiro - Funk do Ai que susto !
(but I'm still pledging my time to you)